sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Boas idas ao Jinfaab


Amigas, amigos do Jinfabb 

Vou antecipar meus desejos, pode ser que eu esqueça de fazê-lo no dia da viagem. 

Neste ano decidi limpar as pendências cirúrgicas de uma vez. 

Em maio foi a vez de tratar da hiperplasia (benigna) da próstata.  A cirurgia foi tranquila e um pós operatório, não ruim, mas chato.  

Em agosto e setembro foi a vez da catarata, aqui foi tranquilo demais. É uma cirurgia, comigo, de recuperação rápida.  Ainda estou me adaptando a enfrentar a luminosidade, tanto noturna quanto diurna. Mas o pós operatório é tranquilo e fácil, disciplinar o uso dos colirios e cumprir as recomendações, qualquer tira de letra. 

Por que tudo isso, para lhe dizer que desta vez eu e Cida não acompanharemos vocês para Aracaju, mas nos encontraremos em Gramado.

Estaremos aqui na torcida por todos. Compitam, mas, sobretudo, se divertam, faz um bem danado. 


Abração, Marconi Urquiza 

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Votos sob objetivos


 


É hora de falar sobre política sem arengar. Pode discordar, fique à vontade. 


        Um amigo em 29 de maio deste ano me enviou um vídeo de 4,54 minutos, uma síntese extraordinária de uma situação de comportamentos de pessoas no século passado. Uma síntese de um dos regimes que mais dizimou pessoas. 

        O assisti com atenção, muita atenção, ainda mais pelo fato desse amigo ter aderido em 2018 ao bolsonarismo, na versão mais briguenta da direita, extrema direita.  Foram tempos de nenhum diálogo, ouvidos trancados e veneno na alma. Circunstância que ensejou outras reflexões minhas.

        Ao ver o vídeo informei a ele que assisti, então me sugeriu escrever uma crônica a respeito. Não escrevi. Me acautelei, os pruridos, os freios morais e psicológicos já estavam frouxos de parte do segmento da população que apoiava o candidato da direita.

        No sentido de demonstrar a intolerância, ilustro está crônica com um papo rápido com uma pessoa próxima, ainda em estávamos fevereiro deste ano.

        A gente viajava no mesmo carro e em certo momento da conversa alguns fatos foram apresentados por ele e eu constrapus com informações que mostravam a outra face da realidade sobre os  seus argumentos. Bastou cinco minutos dessa conversa e ele se enervou, se tornou quase agressivo, a ponto de eu lhe dizer assim: "Não precisa ficar nervoso". E o papo parou de vez.

        Esse epísódio é uma ilustração simples de centenas, milhares e até milhões de atritos quando certas "convicções" se chocam com os fatos e eclode dentro dessas pessoas, que se contrariam ao se defrontar com as suas "certezas" uma violenta raiva. O perfil é que não pode ser "contrariado" em suas opiniões ou "alheias", quem sabe, opiniões assimiladas pelo sequestro da subjetividade.

        Aí veio a eleição de Lula, no outro dia pipocaram vídeos e postagens para demitir funcionário que votou em Lula, nem precisa ter certeza, bastou se suspeitar. Gilhotina no "infiel". Também apareceu dono de pizzaria em João Pessoa com cartaz dizendo, raivoso, que não atenderia esquerdista ou vulgo petista. 

        Alguém mencionou boicotar comércio de petista. Não foi difícil uma comparação com o Nazismo. Vou colocar alguns verbos que me vieram à mente. Segregar, punir (com a morte simbólica: demissão), proibir o acesso de cidadões a espaços comerciais (proibir de entrar), expulsar (de escolas), ameaçar (e dar surras efetivamente), impor medo.

        Desde a juventude eu tive a maior curiosidade sobre como o alemão, povo desenvolvido no início do século passado havia aderido ao Nazismo.  Não compreendia. Só vim compreender muito depois e após muita leitura, entre elas a que mas me impactou foi Adolf Eichmann em Jerusálem - um relato da banalidade do mal, de Hannah Arendt.

        Aí vi também outra análise e foi o que me motivou a escrever esta crônica. Não fixei o início da frase, mas foi algo assim: Isso não é ideologia, é método. É método. Comecei a me indagar e tentar entender o âmago do argumento daquela pessoa.

        Método de que? Pois o vídeo logo se encerrou. Depois de algum tempo pensando consegui juntar, o contexto eleitoral com as perspectivas colocadas no parágrafo 5 desta crônica e o método.

        Qual método?

        O método fascista. 

        É um método que quer dominar pela violência dirigida aos mais fracos; de angariar o apoio dos mais ricos; do estado a serviço do interesses da elite; da violência dirigida aos opositores. Do verbo absoluto tomando a subjetividade (colocando a pessoa na bolha - incapaz de ter uma visão crítica).

        Aí, hoje, vi o filósofo Vladmir Safatle informar que o Brasil teve o maior partido fascista fora da Europa, com 1.200.000 filiados na década de 1930. Então não é de hoje, isto vinha sendo alimentado discretamente até explodir em 2018, após ficar em ebulição durante quatro anos, a partir da Lava Jato, em 2014.

        Como Vladmir Safatle disse, esse fascismo atual não veio do nada. As suas sementes estavam hibernando, esperando chuvas boas, tempo quente e gente a dizer: eu sou como você, pode aparecer. E foi o que ocorreu.

        O que se passou este ano não foi um gamer, em que se morre e revive na próxima tentativa do jogo. Foi um risco real de um regime com o monopólio da violência do Estado sob seu domínio. Este risco por hora está conjurado a espera da próxima eleição para presidente. 

        Esta é a minha visão e minhas reflexões sobre a campanha presidencial deste ano. 

        Há muito o que pensar, muito a dizer, muito a cuidar. Enfim,  o preço da liberdade é a eterna vigilância (Atribuída a Thomas Jefferson)

        Bem, por hora é só.

        Marconi Urquiza


Assista ao vídeo:




        

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Invisibilidade - Homem Invísivel

 

O desespero
No olhar de uma criança
A humanidade
Fecha os olhos pra não ver

Televisão: fantasia e violência
aumenta o crime e cresce a fome do poder
Da canção Filho do Dono - Petrúcio Amorim.




"Não é no silêncio que os homens e mulheres se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão." 
Paulo Freire.

        

        Na minha infância apareceu um herói chamado Homem Invísivel, nessas lembranças ele era do bem. Ajudava as pessoas contra os bandidos da série.

        Nesta quinta-feira, um do milhões de vídeos do Instagram, aquela mulher que nem conhecia, que filmava em uma praia, uma orla de prédios altos. O que é relevante para mim foi no decorrer do vídeo ela demonstrar a  razão de votar em candidato e a sua decisão envolve a palavra invisibilidade. A invisíbilidade social.

        Tal palavra fez correr o tempo para trás. Caí na minha infância de comida farta, lar organizado, escola disponível, farda e cadernos novos todos os anos. Bola de plástico para correr na rua jogando futebol descalço, mas o sapatinho estava guardado para ir ao coégio.  Contexto dos anos 1970.

        Aqui e ali, vinha à nossa casa camigos magrinhos, com as suas roupas puídas, alguns já desdentados, com uma dificuldade enorme para estudar. Mas eu não compreendia essa pobreza, não sabia de tal diferença gritante de renda e oportunidade.  

        Essa realidade e à medida que amadurecia fui tendo consciência de uma comparação entre o que tínhamos e o que muitos meninos, com os quais convivia, tinha e e eu sentia uma espécie de vergonha, acanhamento por ter mais. Não sei traduzir que sentimento era aquele.

        Mas essa pobreza ficou meio invísivel para mim com o passar dos anos. Via que não via, via e não sabia o que fazer e como ajudar. O tempo correu e caímos em 1982, ano de seca feroz no Nordeste, o estado ausente, eram muitas famílias ajudando centenas, milhares de outras famílias. Nesse mesmo 1982 acabara de iniciar a vida como profissional do Banco do Brasil e em certo final de semana, que não pude ir a Recife, o colega Erickson Torres liderou uma ação de cestas básicas que lotou um caminhão e as trouxe para Afogados da Ingazeira (PE). Então me chamou para o ajudar a entregar as cestas às famílias cadastradas.

        Imagino que cada cesta pesava 20 quilos, nosso trabalho era levar do caminhão até a casa de uma família. Eu tive um choque, um choque enorme, aquela invisibilidade caiu como uma cortina que se desprega da parede e eu vi a pobreza forte em várias casas. A maioria das casas só havia a mãe e as crianças.

        Agora vou dar um salto, o tempo correu por muitos lugares e eu estava nesse avião que só ver as coisas do alto. Havia visto a pobreza nos quase 3 anos no interior do Rio Grande do Norte, nos 4 anos no interior do Amazonas e nos 5 anos de Afogados da Ingazeira. E esse avião da vida nos levou até o Paraná. Quem está de lá não sabe direito o que se passa aqui, nem antes e muito pouco agora.  De minha parte eu pensei: Vou para um estado rico, era e ainda é um estado rico. 

        Já com três anos no estado, havia chegado em 1995 e lidava no Banco do Brasil com diversos tipos de clientes. Havia rico, o remediado de classe média e o pobre remediado. Quero dizer, o pobre que não tinha problema para alimentar a sua família. Pobre de Jó, como se dizia na minha infância e não tinha visto. A vida em Terra Boa  (PR) parecia conspirar pela invisibilidade dos mais pobres.

        Chega o ano de 1998, estava efervescente a Ação da Cidadania contra a Fome (criada por Betinho - in memoriam), juntamos a contribuição dos colegas da agência do Banco do Brasil e de clientes e fomos fazer um dia das crianças. Cachorro quente, refrigerante e briquedos simples. Esse dia foi feito em uma escola municipal. Cida, minha esposa, com as esposas dos outros colegas organizam toda a pequena festa e apareceram dezenas de crianças. Fiquei em um canto daquele salão observando o desenrolar dela. Eram todas de famílias pobres, mas até aquele instante invisíveis para mim. 

        Nos dias seguintes fiquei com uma frase na mente e cheguei a dizer a alguém: A pobreza do Paraná é envergonhada. Tem vergonha de aparecer. Se esconde (Terra Boa).

        Quanto a mulher falou no post (vídeo) no Instagram da Invisilidade Social, como a sociedade torna invísiveis essa massa, como forma um gueto visivel das favelas e invisiveis na falta de oportunidade de melhoria de vida, a reflexão voltou e foi sobretudo uma viagem às nossas pequenas conquistas e à lembrança de que muitos meninos, com os quais brinquei na infância, tenha ou tiveram uma vida de quase esmoleres, enquanto meus pais nos proporcionaram um futuro melhor, fruto também das oportunidades que nossos avós tiveram.

        Papai tinha uma obsessão, a de que nós estudássemos e nos formasse em curso superior. Estudo que até hoje ajuda a viver, aos 67 anos. Ele valorizava todo mundo que estudava e se tivesse sido prefeito de Bom Conselho, teria impulsionado como nenhum outro a educação na cidade.

        Graças a isso e em muitas famílias que conheço, a educação não nos fez invísiveis.

                Bem, por hora é só.

        Abração, Marconi Urquiza

        



sexta-feira, 11 de setembro de 2026

O tempo e suas experiências

            Aqui a idade é 13 anos.

Tinha 17 anos e sentia inveja de muitos rapazes da minha idade. Bebiam, dirigiam velozes, namoravam e diziam que faziam sexo.

A minha timidez e também os limites da criação me amarravam.  Sexo: era donzelo.

Aí um dia, estava na farmácia de papai, reclamei e demonstrei inveja dos rapazes mais jovens que eu e que faziam tudo isso.

Seu Naduca ouviu minha queixa,  na minha inveja juvenil. Trinta anos mais do que eu, me fitou sério e então falou: "Olha, você vai fazer coisas antes deles" e enumerou algumas.

"Vai tirar carteira de motorista, vai votar antes deles, será de maior antes, se apresentará no Exército". Foi um consolo e uma verdade. Eu tinha algo  que aqueles rapazes teriam depois de mim. Foi mais que um consolo.  Foi quase um: "você é foda". Não era, mas me senti o "foda".

Minha gratidão ficou incompleta, nunca lhe disse assim: "Seu Naduca, muito obrigado, o senhor me fez me ver diferente, melhor". 

Agora, 50 anos depois, estou aqui, na casa dos 67 anos, e passei por novas experiências que só idade dá: aposentadoria, ser empreendedor sem depender do empreendimento; fazer duas cirurgias que vém com a idade, como a raspagem da próstata e a cirurgia da catarata.

Não tem jeito, nenhum gênio em situações normais as fará antes que tempo o venha abraçar. 

Então volto aos 17 anos, em que de certo modo queria adiantar o tempo, agora ocorreu ao contrário, empurrei quase ao limite para dizer: "Doutor ou Doutora, vamos marcar a cirurgia?"

Falando do tempo, me ocorreu de uma canção que fala dele no sentido de sua passagem, é uma de Alceu Valença, onde ele diz:

Você quer parar o tempo  
O tempo não tem parada

O tempo em si não tem fim
Não tem começo

Você quer parar o tempo
O tempo não tem parada. 

Assim é que Alceu Valença alerta em Embolada do Tempo, que ele não tem parada e vale mesmo é fazer da viagem que resta um imenso prazer. 


Então, um grande abraço.

Marconi Urquiza. 

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Sábado, 29.08.26. 
Na Praça do Sebo, Recife.  Dia do seu 45° aniversário 

Em tempo:
Seu Naduca é Arnaldo Cavalcanti, amigo de papai e frequentador diário da Farmácia Confiança, lá em Bom Conselho, Pernambuco. Hoje extinta.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

A notícia não era boa

       

        No último dia 13 de agosto ouvi a notícia que um amigo e antigo colega de trabalho está  bem doente, desenganado, magro e recluso.
         A minha mente fez o milagre de trazer boas recordações do convívio.
         Fez seis anos que o vi pela última vez em Salvador nos jogos de aposentados do Banco do Brasil, depois não nos vimos mais. Em 2019 estive em Araruna (PR), onde ele mora, fui à sua casa, mas não estava. Voltei a Recife sem conversar com ele.
         Mas ontem,  ao saber do seu estado de saúde, senti uma paralisia, como se uma notícia tão ruim nada significasse para mim, mesmo assim avisei a outro amigo em comum, que me pediu o telefone dele para falar ou enviar uma mensagem. Foi só aí que despertei da minha indiferença. 
        Saí dela e escrevi uma mensagem, mesmo intuindo que ele não leria. As notícias vinda do Paraná deram conta que ele se isolou, não quer visita e nem conversas, não quer palavras que não vão resolver seu problema de saúde. Não quer consolo. 
        Agora mesmo chegou esse questionamento: Qual consolo se pode levar a uma pessoa com doença incurável?
        Ontem foi essa minha dúvida e dilema. O que e como escrever? 
        Fui socorrido pela ótima recordação de um poema que ele fez para mim por causa de um gol que marquei no estádio municipal de Araruna. 
       Um gol em que fiz uma embaixadinha e chutei a bola. Por causa dele, recebi essa homenagem sua no mural da agência do Banco do Brasil na cidade.
        Que posso dizer?
        Abração, amigo. Abração!

        Marconi.

O fofoqueiro

      


         Quando comecei a ler o livro Os Espiões, de Luís Fernando Veríssimo, uma impressão foi tomando conta, páginas e páginas, muitos capítulos, aquelas conversas dos personagens irradiando pedaços de suas próprias impressões e da minha, isto aqui está com jeito de fofoca.

        Aí o passeio pelas páginas escapou para algumas lembranças, como a do fofoqueiro clássico, o malidicente, daquele tipo ainda mais classudo, o que fica levando e trazendo conversas só para ver o "mel" correr solto. Desses eu fugia dos encontros, vai para lá boca fedorenta.

        Mas há o fofoqueiro, aquele meia boca, que só insinua, sabe de alguma coisa que pode desagradar e chega como conselheiro: Olhe, se eu fosse você, ficava de olho! De olho em quê? Até imagina que há um interesse, fique só de olho  e solta uma meia verdade e nunca diz nada inteiro, o desejo é ser importante e assim, vai manipulando algumas pessoas.

        Eu gosto mesmo, a quem chamo de fofoqueiro, daquele que chega, quando não tem assunto, inventa um, só para nos fazer rir. É o fofoqueiro das invenções, um criador de literatura oral das mais originais. 

Acho que essa história eu já falei por aqui. Adolescente, chegou um dos fregueses de papai e começou a conversar na farmácia, naquelas horas em que a freguesia não chegava. Conversa animada, cheia de "is", ilustrando cada passagem e arrematou: "Você conhece a história de Zé Mole?" Conhecia Zé Mole, um ancião que era freguês de papai. Aí contou como ele ganhou o apelido.

        "Certa vez, Zé Mole, que era 'inspetor de quarteirão' chegou perto de  um valentão que tumultuava uma festa e deu voz de prisão: 'Teje preso'," o valentão sabecou um murro em Zé e o derrubou no chão, na versão daquele fofoqueiro, do chão mesmo, Zé gritou: "Teje solto" e aí Zé virou Zé Mole. O pior é que eu, aos 17 anos, mangando do idoso, falei: Teje preso, teje solto. Resumo: nunca mais ele foi comprar seus remédios na fármacia de papai.

        Aí ontem (novembro de 2025) foi a minha vez, o do fofoqueiro intrometido, do pitaqueiro que entende ou não do traçado. Estou ali, lavando as mãos para ir ao encontro da turma da AABB de Recife, que participava dos jogos dos aposentados em Natal, nisso chegam dois atletas de futebol da AABB Natal. Um deles falou assim para o outro, não sei se eu bebo, se eu beber e tomar um gol eles vão reclamar e aí eu disse de supetão: Homem, vá beber, por que se tomar gol, eles vão reclamar do mesmo jeito. Ainda hoje pela manhã escuto uma das maiores gargalhada espontânea que ouvi na vida. O goleiro se desmachou em um riso longo e contente. Parece que aquele pitaco lhe abriu uma gigantesca e saborosa lembrança que o fez gargalhar.

        Mas não é mesmo? Peladeiro adora reclamar, adora alfinetar uma jogada ruim, adora se sentir o "Pelé" e arrochar no que ele ver de medíocre  no outro e muitos deles, esquecem de se divertir. Nessas horas não digo nada, mas a vontade é dizer: Homem vá se divertir, ora bolas!

        Homem vá beber, por que se tomar gol, eles vão reclamar do mesmo jeito.

        Olhe, não sou fofoqueiro, mas adora ouvir uma conversa mole.

           

        Abração, Marconi Urquiza.

        

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Rapaz, você caiu em uma armadilha

        


        Rapaz, você caiu em uma armadilha e não foi a primeira vez. 

        Para deixar o leitor precavido, o assunto é sobre pontos da política. Essa danada que está em nossas vidas, quer se queira ou não;  quer se envolva diretamente ou não. 

        Na realidade, somos influenciado pela política todo o tempo. Até mesmo na omissão dos gestores públicos. 

        Na atualidade, conversar sobre política, com pessoas próximas, é caminho espinhoso e fácil para um desentendimento aqui no Brasil, à distância, os conflitos viraram regra. Como é fácil brigar pelas redes sociais! Aliás, não tão recente, o agravamento vem desde 2010 e piorou significativamente a partir de 2018. 

       Mas vamos para o agora. Na quarta-feira da semana passada peguei uma conversa andando e dei a minha opinião. O primeiro erro, foi não me inteirar antes de todo o assunto e evitar que opiniões tivessem se chocado. Era para sendo sondado mais do que se tratava e principalmente da visão de mundo dos meus interlocutores.

        Dez minutos antes, um amigo me perguntou o que estava escrevendo e respondi, informando de cara, o título do romance: A quinta forma de matar.  Logo em seguida falei uma sinopse, dizendo que o enredo é sobre os odiados e odiadores  (os haters) da Internet e também sobre o que me motivou a escrever envolvendo esta temática, que foi o suicídio de um filho adolescente de uma cantora de Campina Grande (PB), agredido pela gigantesca pressão sobre a sua sexualidade em uma rede social, em uma única noite. Depois, ilustrei, citando o "gabinete do ódio" de Bolsonaro, que foi um vetor de muitas agressões Brasil afora.

        Após essa informação, o amigo saiu e eu fui ao sanitário, ao voltar é que caí na minha própria armadilha. 

        O assunto naquela altura era a política eleitoral deste ano no âmbito da presidência da República.  Diferente de outros períodos eleitorais, comecei a acompanhar com mais assiduidade as pesquisas.

        Nessa de pegar o ônibus andando, me baseando nas mais recentes pesquisas para aquela quarta-feira a que me referi e quando assunto pendeu para a perspectiva de resultado da eleição à presidência eu me meti e opinei: "Lula vai ganhar".

        Como se diz no popular, "cutiquei onça com vara curta" e caiu sobre mim uma avalanche de "argumentos", opiniões e dados que não espelham a realidade, pelo menos das fontes que li e são várias, pelo menos estas: G1, UOL, Diplomatiqué Brasil e BBC Brasil.

        Vieram argumentos sobre os juros do Bacen, preço do diesel, fraude do consignado do INSS, entre outras que não recordo.  Tentei argumentar cada um dos pontos com os fatos investigados pela Polícia Federal, ledo engano, não estavam para ouvir qualquer informação que contradissesse seus "convicções".

        A armadilha apertou ainda mais o "meu pé", foi quando, tardiamente,  percebi que aquele papo estava viciado pela virulência, especialmente de um deles, que argumentava sem querer ouvir e elevava cada vez mais a voz. 

        Era hora de ir embora,  aquilo ali não tinha "futuro", pensei até que foi perca de tempo. Levantei-me e saí; já distante ouvi a frase irônica, "Marconi, também te amo". De costas, respondi com o polegar erguido.

        Sim, o papo em si não me ajudou em nada a enriquecer meus conhecimentos, mas foi muito útil para não cair em armadilhas como aquela; que podem transformar um relacionamento ameno, quase de amigos,  em um estrago que afasta as pessoas.

        Ao final, lembrei-me de uma frase que reporta uma decisão já de vários anos: Se for para eu me estressar, estou fora. Melhorando o entendimento, se for para me estressar, não quero nem saber. Só quero gastar minha energia com coisa boa.

        Foi assim, mais uma lição para a vida; a intolerância também está presente em quem menos se espera, ou pela sabedoria de um dos ditados mais populares da minha adolescência: Quem ver cara, não ver coração. É preciso estar sempre atento.

        Por hora, é o que tenho. 

Abração, Marconi.

Boas idas ao Jinfaab

Amigas, amigos do Jinfabb  Vou antecipar meus desejos, pode ser que eu esqueça de fazê-lo no dia da viagem.  Neste ano decidi li...